quinta-feira, 3 de março de 2016

Autopurificação?

nº 100

O pecado sempre deixa não só a sensação de culpa, mas também a incômoda sensação de sujidade. Se o pecador confessa o seu pecado, Deus o perdoa. E quem vai purificar a sua alma manchada pelo pecado cometido? A Bíblia parece confusa, pois, enquanto em algumas passagens o pecador é exortado a purificar-se, em outras se lê que é Deus quem nos purifica de todo pecado. Existe tal coisa como autopurificação?

Em Isaías, Deus ordena ao povo: “Lavem-se e purifiquem-se! Não quero mais ver as suas maldades” (1.16). Nos Salmos, o pecador suplica a Deus: “Purifica-me de todas as minhas maldades e lava-me do meu pecado” (51.2).

Em 2 Coríntios, Paulo exorta: “Purifiquemo-nos a nós mesmos de tudo o que torna impuro o nosso coração e a nossa alma” (7.1). Em Tito, o mesmo apóstolo lembra que Jesus é aquele “quem se deu a si mesmo por nós, a fim de nos livrar de toda maldade e de nos purificar” (2.14).

Em 1 João, o apóstolo diz que todo aquele que tem a esperança em Cristo, “purifica-se a si mesmo, assim como Cristo é puro” (3.3). Na mesma epístola, João afirma que Deus “nos limpará de toda maldade” (1.9).

Em Tiago, o escritor faz um apelo: “Lavem as mãos, pecadores! Limpem o coração, hipócritas!” (4.8). Em Zacarias, o Senhor Todo-Poderoso promete: “Estes que sobrarem eu farei passar pelo fogo. Eu os purificarei como se purifica a prata e os refinarei como se refina o ouro” (13.9).

Esses pares de passagens bíblicas levantam uma pergunta: afinal, quem lava ou purifica os pecadores de suas manchas? É o sangue de Cristo ou o esforço humano?

O assunto é de suma relevância. Portanto não se pode cometer engano algum. Não se pode dizer absurdos como estes:

A limpeza da alma é por conta exclusiva do pecador.
A limpeza da alma é iniciada pelo transgressor e concluída pela graça de Deus.
A limpeza da alma é uma obra conjunta e depende tanto do ser humano quanto da misericórdia de Deus.
A limpeza da alma é inviável, uma vez imundo pelo pecado, o pecador continua imundo para sempre.

Na verdade, o que deixa o pecador limpo e “mais branco que a neve” é o resultado do sacrifício expiatório de Jesus. Daí a afirmativa de João: “O sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado” (1Jo 1.7). A Palavra de Deus assevera que Jesus só foi assunto ao céu e sentou-se ao lado de Deus, “depois de ter purificado os seres humanos de seus pecados” (Hb 1.3). A mesma carta aos Hebreus explica que “porque Jesus Cristo fez o que Deus quis, nós somos purificados do pecado pela oferta que ele fez, uma vez por todas, do seu próprio corpo” (Hb 10.10).
As passagens logo acima citadas não se contradizem. São abordagens diferentes. Não ensinam de forma alguma a autopurificação do ser humano caído. O pecador se purifica quando fica horrorizado com a sua culpa e a sua sujeira e quando toma conhecimento do sacrifício vicário de Jesus e se apropria dele pela fé. Sem a cruz e o túmulo vazio, não haveria a menor possibilidade nem de perdão nem de purificação. Uma vez atingido pela graça, a alma manchada de vermelho escuro fica branca como a neve ou como a lã (Is 1.18)!


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