quinta-feira, 3 de março de 2016

José do Egito e a mulher de Potifar

A história do não envolvimento de José com a mulher de Potifar tem sido desperdiçada. Embora seja uma história muito antiga (o fato aconteceu há quase 4 mil anos), ela é muito atual porque descreve um drama corriqueiro (o sexo ilícito). Prega-se e escreve-se muito mais sobre o vergonhoso fracasso de Davi no que diz respeito ao seu duplo adultério com Bate-Seba do que sobre a brilhante vitória de José no que diz respeito ao seu não adultério com a mulher de Potifar. Das duas histórias, qual delas revela mais e favorece mais a natureza humana?

A história de José é diametralmente oposta à história daquele rapaz sem juízo de que fala o livro de Provérbios. Tanto a mulher de Potifar como a outra mulher eram casadas e estavam atrás de sexo ilícito. Ambas convidaram os dois rapazes para ir para a cama. A segunda mulher foi mais melosa: “Venha, vamos amar a noite toda. Passaremos momentos felizes nos braços um do outro” (Pv 7.18). Nem José nem o rapaz sem juízo precisavam se preocupar com os maridos delas, pois o primeiro estava trabalhando fora de casa e o segundo estava fazendo uma longa viagem a trabalho. Ambas aproveitaram bem a oportunidade: a mulher de Potifar agarrou José pela capa (Gn 39.12) e a outra agarrou o rapaz sem juízo e o beijou (Pv 7.13). Se o comportamento das duas mulheres foi igualzinho, o comportamento dos dois homens foi muito diferente. Por ser temente a Deus (ou porque era uma árvore plantada junto à Fonte), José fugiu da situação e da tentação. Já o outro caiu na conversa da moça e foi com ela para debaixo dos lençóis coloridos e importados e cuidadosamente perfumados com mirra, aloés e flor de canela (Pv 7.15-17).

Mas as duas histórias não terminam aí. Enquanto José não atrapalha a sua carreira e segue em frente, o rapaz sem juízo toma o caminho que leva ao matadouro ou ao alçapão, e uma flecha atravessa o seu coração (Pv 7.22-23). Homem nenhum, diz a sabedoria dos Provérbios, pode carregar fogo no colo sem queimar a roupa, nem andar em cima de brasas sem queimar os pés. É isso que acontece com “o homem que dorme com a mulher de outro” (Pv 6.27-29) ou com a mulher que dorme com o marido de outra.

Por que é um desperdício não contar ambas as histórias, a de Gênesis 39 e a de Provérbios 7? Elas ajudariam a adolescência e a moçada de hoje a não agir segundo a carne, segundo a mídia, segundo a permissividade sexual. Principalmente se nos lembrarmos que José era um jovem de 17 anos, ainda solteiro, cheio de vigor, cheio de vida, cheio de saúde e cheio de curiosidade quanto ao amor e quanto ao sexo. Quando Davi viu a nudez de Bate-Seba e caiu em adultério, ele já era um homem feito e já conhecia a nudez de sete esposas (2Sm 3.2-4; 14) e de dez concubinas (2Sm 15.16). Acresce que José na ocasião era um rapaz sozinho, sem a proteção do pai e sem o aconchego da família, embora estivesse junto à Fonte (Gn 49.22)!


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