quinta-feira, 24 de março de 2016

O Apelo à Santidade



Muitos dos segredos para a santidade nos são dados nas páginas da Bíblia. De fato, um dos maiores propósitos da Bíblia é mostrar ao povo de Deus como viver de forma digna e agradável ao Senhor. Porém um dos aspectos mais negligenciados na questão da santidade é o papel da mente, mesmo que Jesus tenha esclarecido a questão quando prometeu que: “conhecerão a verdade, e a verdade os libertará”.
É por meio da verdade que Cristo nos liberta do domínio do pecado. Como isso funciona? Onde está o poder libertador da verdade?

Para começar, precisamos Ter uma visão clara do tipo de pessoa que Deus quer que sejamos. Precisamos conhecer as leis morais e os mandamentos de Deus. Como John Owen expressa, “aquele bem que a mente pode descobrir, que a vontade não pode escolher,  que os sentimentos não podem discernir”. Ainda assim, “nas Escrituras o engano da mente é comumente visto como o princípio de todo pecado”.

O melhor exemplo disso talvez seja encontrado na vida terrena de nosso Salvador. Por três vezes o diabo veio até ele e o tentou no deserto da Judéia. Por três vezes Ele reconheceu que a sugestão do diabo era maligna e contrária a vontade de Deus. Por três vezes Ele enfrentou a tentação com a palavra gegraptai, “está escrito”. Não havia espaço para debate ou argumento. O problema estava resolvido na mente dele desde o começo. Porque a Escritura tinha estabelecido o que era certo. Um conhecimento claro da vontade de Deus é o primeiro segredo para uma vida reta.

No entanto não é suficiente sabermos o que devemos ser. Precisamos ir além e empenhar nossas mentes nisso. A batalha é quase sempre ganha na mente. É por meio da renovação da nossa mente que nosso caráter e comportamento são transformados. Assim, as Escrituras nos chamam novamente para uma disciplina mental a esse respeito. “Tudo o que for verdadeiro”, - ela afirma - “tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas”.

Novamente, “portanto, se vocês ressuscitaram com Cristo, procurem as coisas que são do alto, onde Cristo está assentado à direita de Deus. Mantenham os pensamentos nas coisas do alto, e não nas coisas terrenas. Pois vocês morreram, e agora a sua vida está escondida com Cristo em Deus”.

E, uma vez mais, “quem vive segundo a carne tem a mente voltada para o que a carne deseja; mas quem vive de acordo com o Espírito, tem a mente voltada para o que o Espírito deseja. A mentalidade da carne é morte, mas a mentalidade do Espírito é vida e paz”.

Autocontrole é primeiramente o controle da mente. O que plantamos em nossas mentes colhemos em nossas ações. “Alimentem a mente” é o slogan de uma campanha para a difusão de literatura cristã. Ela se baseia no fato de que a mente precisa ser alimentada da mesma forma que o corpo. E o tipo de alimento que nossa mente consome vai determinar o tipo de pessoa que nos tornaremos. Mentes saudáveis têm um apetite saudável. Precisamos satisfazê-las com uma alimentação saudável e não com drogas e venenos intelectuais perigosos.

Existe, no entanto, um segundo tipo de disciplina mental à qual somos apresentados no Novo Testamento. Devemos considerar não apenas o que devemos ser, mas o que, pela graça de Deus, já somos. Devemos constantemente lembrar o que Deus fez por nós e dizer para nós mesmos: “Deus me uniu com Cristo pela morte e ressurreição, e assim anulou minha vida antiga e me deu uma vida totalmente nova em Cristo. Ele me adotou na família dele e me fez seu filho. Ele colocou o Espírito Santo em mim e, assim, fez do meu corpo um templo para ele. Também me fez herdeiro e me prometeu um destino eterno com ele no céu. Isso é o que Ele fez por mim e em mim. Isso é o que sou em Cristo”.

Paulo sempre nos diz para trazer à mente essas coisas. “Quero que vocês saibam” - ele escreve - “não quero que vocês sejam ignorantes”. E pelo menos dez vezes nas cartas aos Romanos e aos Coríntios ele faz a pergunta: “Vocês não sabem?”. Vocês não sabem que foram batizados por causa da morte dele? Não sabem que são escravos daquele a quem devem obediência? Não sabem que são templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vocês? Não sabem que os transgressores não entrarão no reino de Deus? Não sabem que os corpos de vocês são membros de Cristo?

A intenção do apóstolo com essa seqüência de perguntas não é apenas fazer com que nos sintamos envergonhados por nossa ignorância. Em vez disso, ele quer nos levar a recordar essas grandes verdades sobre nós mesmos, que de fato sabemos bem, e quer falar conosco sobre elas até que se fixem em nossa mente e moldem nosso caráter. Essa não é a autoconfiança de Norman Vicent Peale. A estratégia de Peale é nos fazer fingir ser o que não somos. A estratégia de Paulo é nos lembrar do que verdadeiramente somos, pois Deus nos fez dessa forma em Cristo.




0 comentários:

Postar um comentário

Postagens populares

Arquivos do Blog